O que nos mantém estagnados

O fenômeno resultante do intenso abre e fecha de empresas, especialmente no contexto brasileiro, é conhecido como alta taxa de mortalidade empresarial ou rotatividade de mercado (churn). Isso gera um cenário de instabilidade econômica, onde, apesar de o Brasil frequentemente bater recordes na criação de novos negócios, uma grande parcela não sobrevive a longo prazo. Mais da metade das empresas, em períodos considerados “normais”, encerra suas atividades antes de completar cinco anos. Ao contrário da crença popular, que culpa apenas as crises, a maioria das empresas fecha por falhas internas, como falta de planejamento, falta de controle financeiro, gestão ineficiente e falta de inovação.
Em Santa Isabel as empresas sucumbem à ilusão de que receberão apoio da administração municipal, sem levar em conta a maior falha do Poder Público e dos próprios comerciantes, a falta de divulgação e comunicação.
Os empresários isabelenses acreditam que os melhores veículos de propaganda são: a propaganda boca a boca; os carros, bicicletas e caixas de som (o barulho); os semanários locais (jornais) e a única estação de rádio da cidade, todos de alcance meramente local. E as exceções, os estabelecimentos que marcam presença na internet, não são suficientemente divulgadas.
Vários são os motivos que mantêm a cidade estagnada, assistindo ao desenvolvimento de nossas vizinhas Arujá, Igaratá e Guararema (para citar apenas as três que mais se destacam), como, por exemplo, a falta de união em torno de um objetivo comum e de iniciativas coletivas. Se defendemos a bandeira do turismo, precisamos ter atrações turísticas e estimular o desejo de sermos visitados; precisamos de um padrão de qualidade e de atendimento que conquiste quem nos visita.
De acordo com o IBGE, o salário médio formal dos trabalhadores em 2023 era – e continua sendo – de 2,4 salários mínimos (atualmente R$ 3.890,00), e paralelamente, o percentual da população com rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo é de 34,8%, o que equivale a aproximadamente a 18.500 pessoas [2010]. Nesse cenário, por escolha e decisão de alguns vereadores, sem consulta pública, o cavalo foi escolhido como símbolo da cidade. Esse animal é o que se constitui como uma atração no município? 

O festival gastronômico

O CEO do CESADE – Centro de Serviços de Apoio e Desenvolvimento e responsável pelo projeto SIGuia, Mario Cerqueira Lima, foi ativo politicamente durante os 34 anos que viveu em São José dos Campos, onde atuou como membro de associações de amigos de bairros e em diversas áreas, inclusive na divulgação e elaboração do Guia Turístico (impresso) que cobria o Vale do Paraíba, a Serra da Mantiqueira e o Litoral Norte do Estado, cobrindo 13 cidades. Para a mesma entidade produtora, a Coneleste Publicações, concebeu o Festival Gastronômico de São José dos Campos em suas duas primeiras edições, com participação de mais de cinquenta estabelecimentos e milhares de consumidores. Em sua opinião, um evento como aquele poderia atrair novos visitantes, provenientes de outros municípios, além de costumeiros “turistas” e munícipes, contribuindo para o desenvolvimento econômico da cidade e de sua propagação regional. Todavia, um evento desse porte precisa ser bem planejado e ter adesão massiva, envolvendo, sem dúvida, o rateio dos custos. Convém enfatizar que a divulgação do evento deve ter alcance intermunicipal.
A realização de um verdadeiro festival gastronômico é uma das metas consideradas pelo projeto SIGuia Food. Deixe a sua opinião sobre isso.

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